quinta-feira, 12 de março de 2009

Coluna vertebral: o que ela diz em suas dores


Quase todos nós conhecemos as dores e os desconfortos da coluna vertebral. O que poucos de nós sabemos são quais os aspectos emocionais se expressam ou se escondem nestes sintomas. Afinal, quais são as prováveis relações emocionais que acometem a coluna vertebral?
A coluna vertebral relaciona-se com a estrutura da personalidade. É por assim dizer o eixo central do ego, que é a parte da personalidade que faz contato com o mundo externo. Problemas de coluna indicam desequilíbrios ou dificuldades na formação da personalidade ou conflitos no relacionamento com as pessoas ou com o mundo que nos cerca.
A coluna trás em suas partes, determinados aspectos prováveis de relação mente e corpo relacionados a cada região. A região cervical relaciona-se à flexibilidade e amplitude de perspectivas. As duas primeiras vértebras relacionam-se mais com as dificuldades que temos na formação dos nossos conceitos e as duas últimas, a ressentimentos, e da mesma forma as primeiras torácicas.
Na altura da sétima cervical, em muitas pessoas ocorrem materializações relacionadas a ressentimentos, situações emocionais do passado mal resolvidas evidenciando saliências nesta área corpórea. Pessoas inflexíveis e de padrão de comportamento rígido tendem a calcificações na região cervical. A retificação da lordose anatômica cervical relaciona-se ao excesso de exigência sobre si mesmo e perfeccionismo. A hiperlordose cervical relaciona-se ao medo, sobretudo sustos na infância, tristeza e dificuldade de acreditar na própria felicidade. Algumas exceções acontecem em pessoas que querem ocultar o medo e “levantam o nariz”, como popularmente é referido para descrever a postura de arrogância. A escoliose cervical muitas vezes relaciona-se a uma tristeza do passado que “murcha” a pessoa, “caindo” a cabeça para um dos lados. As patologias da região cervical estão mais relacionadas à inflexibilidade e à tentativa de controlar tudo, ou de racionalizar tudo; no entanto, às vezes elas são conseqüentes a conflitos que relacionam-se a outras áreas, sobretudo da coluna dorsal.
A região dorsal ou torácica relaciona-se à postura diante da vida, especialmente diante do emocional. Problemas na região dorsal indicam dificuldade de posicionamento, sobretudo diante das emoções. As calcificações na dorsal estão relacionadas a tristezas profundas. Os casos de hipercifose ( acentuação da cifose) evidenciam um esconder-se do mundo, um encolher-se diante dos fatos que não sabemos como administrar. Já os casos de retificação (perda da curvatura anatômica) relacionam-se a um excesso de exigência sobre si mesmo.
A escoliose (curvatura lateral) da região dorsal em muitos casos relaciona-se ao “encurvar-se” diante de fatos que “não sei como”, ou “não posso mudar”, ou “sou forçado a aceitar”. É muito comum acontecer na adolescência, porque o jovem não sabe como se portar. Não é mais criança, nem adulto. Para algumas coisas, os pais e a sociedade o tratam como adulto; para outras, como criança, e isso gera uma confusão muito difícil de esclarecer. As pessoas “retas”, retificadas nesta região, sofrem muito com a necessidade de ostentar o que não são.
Já os hipercifóticos em geral são tristes e assumiram que a vida é triste mesmo, e nada se pode fazer para mudar. As patologias da região dorsal, em geral, relacionam-se à tristeza, por a pessoa não viver as emoções de forma equilibrada, especialmente nos casos de hipercifose. Os casos de retificação relacionam-se mais ao perfeccionismo. Ocorrem em geral nas pessoas que foram muito cobradas e que acabaram se cobrando muito, especialmente a perfeição.
A região lombar está relacionada ao “ter” na vida. Problemas na lombar relacionam-se em geral a perdas, ou medo de perdas, ou de não conquistar, tanto no aspecto material, quanto emocional. A hiperlordose lombar, muitas vezes relaciona-se aos aspectos acima referidos, e em alguns casos relaciona-se à repressão sexual. É uma tentativa de “esconder” o sexo, que acontece sobretudo nas mulheres. A famosa “bundinha arrebitada” em muitos casos esconde uma repressão sexual e uma necessidade de ser dominada, ou ainda uma supervalorização da estética diante das emoções.
A retificação lombar também pode ocorrer pelos motivos citados acima, e pelo perfeccionismo. Já a escoliose lombar pode relacionar-se à rejeição intra-uterina, por patologia congênita óssea, o que às vezes também acontece na sétima cervical. Algumas pessoas que sofreram rejeição, especialmente de sexo, apresentam estas patologias congênitas nesta região. As patologias da região lombar geralmente relacionam-se a medos, ou à situação de muita cobrança, interna e externa, relacionadas a questões com conotações emocionais.
A região sacral está relacionada à sexualidade. Problemas na região sacral relacionam-se a conflitos relacionados a sexualidade, sobretudo traumas e repressão. Nos casos de meninas que são esperadas meninos, é muito comum encontrarmos uma materialização sobre o sacro e dores na região. Estas mulheres, em geral, apresentam dificuldade nos relacionamentos íntimos, dificuldade de engravidar, cólicas menstruais, susceptibilidades a problemas no aparelho reprodutor (útero, ovários, seios etc.) frigidez e tendência homossexual conflitiva. (Condição sexual homossexual que só acontece porque a pessoa não se permite ter o que quer, no caso uma relação heterossexual).
Homens com esse tipo de conflito materializam menos sobre o sacro, mas também manifestam problemas com a sexualidade, tanto com os relacionamentos, como no que diz respeito à suscetibilidade a problemas no aparelho reprodutor, inclusive em muitos casos sendo estéreis e tendo tendência homossexual conflitiva.
É muito importante destacar que as dores do isquiático (ciático) também estão relacionadas aos problemas de coluna da região lombar e sacral. Correspondem aos medos de seguir em frente, inseguranças diversas e dificuldade de adaptação as situações de vida, especialmente aquelas que requerem mudança de comportamento ou que transformam nossa rotina.
Não são apenas os problemas de coluna, mas todas as articulações relacionam-se à nossa capacidade de nos “articular” na vida, ou seja, capacidade de relacionamento político. Problemas nas articulações relacionam-se à rigidez e à dificuldade de superar situações difíceis. Incluem-se nesse contexto todas as “ites” que afetam as articulações e que estão relacionadas a situações desagradáveis a que a pessoa se submete mesmo não gostando, por não saber como resolver.
Quando nos referimos a “articular-se” na vida, estamos enfocando nossa capacidade de relacionarmo-nos equilibradamente sem machucar o outro nem nos deixarmos machucar, respeitando os limites de cada um, inclusive os próprios. Viver é relacionar-se de forma equilibrada; do contrário, é muito difícil termos uma perspectiva feliz e saudável. Portanto, a forma como nos relacionamos é fundamental para o nosso equilíbrio. Essa maneira equilibrada de viver constrói-se apartir da espiritualidade e do amor, que sempre deve começar pelo amor por si mesmo. O equilíbrio sempre parte do respeito mútuo entre as pessoas, o que em nossas relações é fundamental. A capacidade de se “articular” é muito importante para o êxito ser alcançado, tanto no trabalho, quanto nas relações mais próximas, e consiste na flexibilidade e maleabilidade que precisamos ter para não desrespeitarmos os outros e nem a nós mesmos.
Para ser infeliz e desamado, ninguém nasce. Se, nascemos dentro de uma perspectiva negativa, é porque temos a esperança de reversão. A vida é incompatível com a tristeza e a falta de amor. Portanto, “articular-se” é relacionar-se dentro da interdependência saudável que rege o universo com respeito pelo outro e por si mesmo, sem toda a rigidez que se relaciona à maioria dos problemas articulares. Desculpem a repetição, mas no que se refere ao inconsciente, que assimila bem o que for repetido, esta repetição é produtiva: precisamos melhorar nossas relações, para que possamos mudar o mundo.

Texto do terapeuta Ivan Pinto, do Centro Holístico Idhera, de Porto Alegre. www.centroidhera.com.br

quarta-feira, 11 de março de 2009

Cultura do Tibete em extinção









Notícia extraída do blog Opinião e Notícia
http://www.opiniaoenoticia.com.br/interna.php?id=22522&gid=twitter
que por sua vez extraiou do Wall Street Journal
http://online.wsj.com/article/SB123665636607880373.html?mod=djemTAR#
Enfim, vale a pena saber!!!

Cinquenta anos depois de ter fugido do Tibete, o Dalai Lama disse que a cultura, a religião e a identidade do seu povo estão perto da "extinção" sob o controle do governo chinês e pediu autonomia para os tibetanos.

As duras observações do Dalai Lama foram feitas em um discurso na cidade indiana de Dharmsala. O líder espiritual disse que o governo comunista da China submeteu o Tibete e sua população a "um enorme sofrimento" ao longo das últimas cinco décadas, transformando a região do Himalaia em um "inferno sobre a Terra".

Nesta terça-feira (10/03), forças de segurança da China foram enviadas para áreas de etnia tibetana a fim de evitar manifestações durante o 50º aniversário do fracassado levante tibetano contra Pequim.

No ano passado a data desencadeou protestos violentos, incluindo uma manifestação no dia 14 de março na capital do Tibete, Lhasa, quando 18 pessoas morreram em confrontos com a polícia, de acordo com o governo chinês. Mas ativistas tibetanos garantem que muito mais pessoas morreram.

Em nossa opinião a gradual destruição dessa cultura milenar é um crime contra a humanidade. Não contente com ocupar o país militarmente a China destruiu templos, perseguiu religiosos e mudou milhares de chineses para lá para incentivar o uso da língua chinesa.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Comemoração do Ano Novo Tibetano





Dança dos lamasDomingo, primeiro de março, 10h
Khadro Ling, Três Coroas-RS

As danças do budismo tibetano expressam energias sagradas por meio da meditação e do movimento. Especificamente no período do losar, o ano novo tibetano, as danças são realizadas para evitar que qualquer escuridão, distúrbios ou energias negativas do ano que passou sejam levados para o ano seguinte.

Realizadas com máscaras e roupas esplêndidas, elas celebram a aspiração de que a paz e a harmonia aumentem para todos os seres.

O ano que se inicia é o ano de 2136, Ano do Boi da Terra, de acordo com o calendário tibetano.

Essa já é uma cerimônia tradicional da serra gaúcha, atraindo moradores de toda a região, adeptos e simpatizantes do budismo de todo o Brasil para juntos comemorarmos a entrada do novo ano. Neste ano, as cerimônias do Losar serão lideradas por Jigme Tromge Rinpoche, filho de S.Ema. Chagdud Rinpoche, e Chagdud Khadro, Diretora Espiritual do Chagdud Gonpa Brasil.

OBS:

  • A entrada é gratuita.
  • As danças começarão às 10h.
  • As danças acontecerão embaixo de uma tenda, portanto o evento não será cancelado em decorrência de chuva ou tempo ruim.

Local e acesso:

O Khadro Ling está a 7 km de Três Coroas por estrada de terra. Caso você venha de carro de Porto Alegre, siga pela RS-020 em direção a São Francisco de Paula. Dobre à esquerda na parada de ônibus 177, seguindo a sinalização para o centro budista. Se vier pela RS-115, dobre à direita no primeiro trevo de Três Coroas em direção ao bairro Águas Brancas. Você vai seguir por 7 km em uma estrada de terra. Nas bifurcações, entre sempre à esquerda.

Para mais informações:
Fone (51) 3546-8200
info@chagdud.orgEste endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Em busca do espiritual



A monja Ishin Havens nasceu e foi criada em Washington, nos Estados Unidos, onde tornou-se musicista profissional (trompista). Chegou a tocar com artistas como Tom Jobim e Burt Bacharach. Enquanto morava na Europa, em 1971, foi convidada a ingressar numa orquestra sinfônica brasileira. Gostou do Brasil e acabou fazendo do país o seu lar, naturalizando-se em 1984.
Sempre foi uma "buscadora espiritual". Leu o primeiro livro sobre o budismo em 1969, e se apaixonou pelos conceitos dessa filosofia oriental. Foi somente em 1996 que encontrou a Monja Coen, no Templo Busshinji, de São Paulo. Ali iniciou a prática formal do Zen. Não demorou muito tempo e percebeu que essa prática e a vida de templo budista era tudo que havia procurado na vida. Foi então que pediu e recebeu a ordenação monástica, se tornando monja-noviça, em 1999. No ano seguinte, foi para o Japão realizar treinamento monástico de quatro anos no Mosteiro Feminino de Nagoya. Depois passou um ano em treinamento avançado nos Estados Unidos e um ano como assistente da Monja Coen, em São Paulo, até receber autorização de liderar grupo e ensinar, em 2006.
Atualmente é orientadora espiritual da Sanga Soto Zen Budista Águas da Compaixão, onde desenvolve várias atividades e da Sanga Aikikai, da Associação RS Aikikai, em PortoAlegre, além de palestrante da Universidade Falada.

Qual a diferença básica do Zen Budismo para os outros tipos de budismo?
Todas as escolas Budistas transmitem os mesmos ensinamentos básicos. As diferenças surgem principalmente nas adaptações a cada país e cultura (roupa, por exemplo), na escolha dos textos que serão mais estudados, nos detalhes da interpretação “filosófica” e, principalmente, no estilo da prática. Enquanto que todas as escolas valorizam a meditação, o Zen coloca o Zazen (a meditação Zen) como o eixo central da prática. Ainda mais, o método do treinamento do zen baseia-se nas atividades do dia-a-dia, que podem ser consideradas a meditação vipasana do zen (meditação de plena atenção). No visão do Mestre Dogen, fundador da escola Soto Zen japonês, a prática correta é a iluminação. Por isso, é dada extrema importância à “prática correta” – a “forma” de se portar, os detalhes nos procedimentos, os atos corriqueiros como servir chá ou até atividades como trabalhar no computador, escrever cartas ou cozinhar – todos feitos com plena atenção, com a postura do “ser iluminado” e não do “ego condicionado”. A Iluminação é praticada na convivência com os outros praticantes, na prática dos preceitos nos relacionamentos, com a supervisão de um instrutor autorizado ou de um professor formado. As atividades “comuns” acabam sendo tão importantes para o desenvolvimento da prática zen quanto a meditação sentada. Enquanto que o estudo dos ensinamentos nunca pode ser dispensado, inicialmente é deixado para um segundo momento.
Conte um pouco de sua história, o que fazia antes do budismo e porque decidiu tornar-se monja?
Nasci e fui criada nos Estados Unidos, tornei-me musicista profissional (trompista). Enquanto morava na Europa, em 1971, fui convidada a ingressar numa orquestra sinfônica brasileira. Gostei do Brasil e acabei fazendo este país o meu lar, naturalizando-me brasileira, em 1984. Como musicista, cheguei também a tocar com artistas populares como Tom Jobim e Burt Bacharach, entre outros. Sempre fui uma “buscadora espiritual”. Li o meu primeiro livro sobre o Budismo em 1969 (e me apaixonei com os conceitos budistas), mas foi somente em 1996 que encontrei a Monja Coen no Templo Busshinji de São Paulo, onde iniciei a minha prática formal do Zen. Não demorou muito tempo que percebi que esta prática e a vida de templo budista era tudo que havia procurado na vida. Pedi, e recebi a ordenação monástica, me tornando monja-noviça em 1999. Fui para o Japão no ano seguinte fazer o meu treinamento monástico no Mosteiro Feminino de Nagoya. Treinei lá durante 4 anos, onde completei a etapa de Combate de Darma, com a Aoyama Roshi como professora de treinamento. Depois passei 1 ano fazendo o meu treinamento avançado nos Estados Unidos e 1 ano como assistente da Monja Coen em São Paulo, até receber autorização de liderar grupo e ensinar, em 2006.
Quais as atribuições de uma ordenação monástica?
Com a ordenação monástica, torna-se monge-noviço, um estudante do dharma. Essencialmente, o monge-noviço deve preocupar-se exclusivamente com o seu próprio treinamento – o cultivo da mente de Iluminação. Durante esta fase, o ideal seria que o monge-noviço não sofresse distrações ou carregasse responsabilidades de lidar com o público, pois isto pode interferir seriamente com a sua própria realização e desenvolvimento como monge. O monge-noviço precisa deixar de lado as idéias românticas (ou egóicas) de “servir ao Darma” ou “servir à comunidade” até mais tarde, depois de atingir um nível de realização na sua própria prática. Tradicionalmente, é somente depois do Combate de Darma que o aluno torna-se “monge-aprendiz” (mais ou menos equivalente a um diácono na igreja católica) e começa a assumir responsabilidades de orientar os mais novos, inicialmente como um “monitor”, até receber autorização de liderar grupos e ensinar. O treinamento é finalizado com a Transmissão de Dharma, quando torna-se um monge plenamente formado. No meu caso, estou na fase final de meu treinamento e vou receber a Transmissão de Dharma do Saikawa Roshi, Superintendente para a América do Sul de nossa tradição, ainda sem data prevista devido à construção do novo prédio do Templo Busshinji em São Paulo. Nos países asiáticos, o aluno ficaria praticando sob a supervisão direta e pessoal de seu professor, inclusive morando no templo do professor, durante uns 5 a 10 anos antes de receber autorização de liderar um grupo e nos Estados Unidos é bastante comum praticantes ficaram treinando com os seus professores durante 10 ou 20 anos antes de receber Transmissão do Darma e autorização de liderar grupos. Aqui no Brasil, porém, muitas cidades não têm pessoas com treinamento adequado disponíveis para liderar grupos de prática, devido à falta de monges plenamente formados e monges-aprendizes preparados para assumir estas responsabilidades. Assim, muitos monges-noviços se vêem obrigados a carregar responsabilidades muito pesadas, sozinhos e longes de seus professores, desde muito cedo no seu treinamento. Mesmo reconhecendo os possíveis erros destes monges-noviços, agradecemos o seu heroísmo, esforço e dedicação. Tudo isto faz parte do processo de transmissão dos ensinamentos de um país para outro e são pioneiros.
O que significa o termo psicologia budista?
O Mestre Dogen, fundador de nossa escola Soto Zen, disse: “Estudar o Caminho é estudar a si mesmo. Estudar a si mesmo é esquecer-se de si mesmo. Esquecer-se de si mesmo é ser iluminado pelas dez mil coisas (pelo universo inteiro)”. Os ensinamentos clássicos do Budismo são divididos em três grupos: os sutras (“palestras” de Buda), o Vinaya, ou os preceitos e regras monásticas (a moralidade) e o Abhidharma (os ensinamentos superiores ou avançados). Este terceiro grupo dos ensinamentos, pelos critérios ocidentais, pode ser chamado de “psicologia budista” ou de “filosofia budista”, pois aborda a análise profunda da natureza da mente e suas funções (psicologia) e das leis universais que governam a vida (filosofia). Este “estudar a si mesmo”, que é a prática budista, vai muito além da psicologia ou filosofia ocidental. Consequentemente, precisamos evitar perder a verdadeira essência e objetivo da prática budista ao tentar encaixá-la nos nossos conceitos ocidentais.
Hoje em dia muitas pessoas - principalmente artistas, se intitulam budistas. O que, na verdade, é ser budista?
Em princípio, ser budista seria “tomar os refúgios budistas”. Mas o que é isto, na verdade? Aqui no Ocidente ainda há muita confusão sobre o que é ser “budista” e o que é ser “Zen”. Vou falar agora do Zen para depois generalizar para o budismo como um todo. Assim, com esta confusão, acaba-se criando novas variedades de “falso Zen’ para acrescentar à lista tradicional. Temos muitos grupos de “zen hippie”, “zen narcissista”, “zen bicho-grilo”, “zen auto-didata”, “zen clube-de-meditadores”, “zen da esquerda”, etc. em lugar de uma prática de profunda auto-transformação e libertação do sofrimento. A verdadeira prática do Zen e o verdadeiro “tomar os refúgios budistas” do budismo em geral ainda estão difíceis de serem encontrados, apesar de toda a boa vontade e sinceridade de esforço de muitas pessoas. O Budismo é muito novo aqui no Ocidente e a transmissão de sua essência é um processo demorado. Na China, por exemplo, levou 400 anos, e várias gerações de professores, para a tradição se estabelecer e clarificar sua identidade independente das tradições taoístas e confucionistas. Ainda mais, um professor só poderá ensinar aquilo que o aluno está disposto e preparado para aprender. Finalmente, na transmissão do oriente para o ocidente, as diferenças culturais e linguisticas são inimagináveis e traiçoeiramente sutis. Há uma grande tendência de interpretar – inconscientemente – os ensinamentos de acordo com os presupostos de nossa cultura e através do filtro judaico-cristão, talvez com toques de “nova era” ou outras ideologias, etc. em lugar de recebe-los com o coração-mente realmente aberto. Assim, frequentemente acontece que as pessoas caem em erros de compreensão, mesmo se esforçando sinceramente na sua prática.
Como especialista na costura de vestimentas budistas, poderia falar o que sua vestimenta significa? Todos os praticantes a usam? Ou apenas monges?
As vestimentas (manto de monge e “rakusu” do praticante leigo) simbolizam os votos do praticante de viver de acordo com os ensinamentos budistas e, podemos dizer, são “consagradas” nas cerimônias de transmissão destes votos (Transmissão dos Preceitos). Tradicionalmente, sempre que possível, o próprio praticante costura, à mão, o seu “rakusu” (um espécie de mini-manto) ou kesa (manto de monge). Paralelamente, temos a costura dos outros materiais, como as almofadas de sentar zazen (zafus), etc. Estas costuras fazem parte da prática de plena atenção e convivência com o grupo. Há uma expressão que descreve a prática da costura budista japonês: “hito hari, hito hari, kokoro o komete” – ponto por ponto, colocar o coração.
Desde quando está em Porto Alegre e como tem sido esta experiência?
Mudei-me para Porto Alegre em dezembro de 2006 e tem sido uma experiência de vida bastante agradável morar nesta cidade bem mais calma – a aborizada – que a cidade de São Paulo. Me sinto realizada na minha atividade com os meus grupos de prática (Sanga Águas da Compaixão, Sanga Aikikai e Sanga Energia Harmoniosa) e “não troco eles por nada no mundo”. Sou muito grata aos praticantes que sustentem este meu trabalho. Finalmente, não sou vegetariana e, por biotipo, necessito de carne – assim, a região Gaúcha é “um prato cheio” para mim...
Quais as características da Baika, a música budista?
Ainda muito pouco conhecida no ocidente, esta música valoriza a sinceridade do canto no contexto de grupo em lugar de se preocupar tanto com a qualidade da voz. É uma música suave, meditativa, que pede plena atenção e uma entrega à energia do grupo. É bastante cultivada no Japão, com os encontros nacionais literalmente enchendo um estádio de futebol – de praticantes cantando. Ano passado, recebemos em nossa Sanga um professor-mestre de Baika do Japão pela primeira vez em Porto Alegre, e devemos ter a visita de professores-mestres Japoneses todo ano, geralmente no mês de junho.
Qual a importância do estudo formal dos ensinamentos budistas?
Desde o início do budismo, é ensinado o “tripé” dos Três Treinamentos (trishiksha no sânscrito ou sangaku em japonês). São interdependentes entre si e o cultivo de somente um ou dois destes treinamentos independentemente do(s) outro(s) não permitirá o praticante chegar à Liberação do Sofrimento (vimukti no sânscrito), ou, em outras palavras, à Iluminação.
São estes:
1. Adishila-shiksha (o Treinamento na Conduta Superior, ou treinamento da moralidade). Este treinamento é feito com o estudo e prática de viver de acordo com dos preceitos budistas. No Zen, isto é treinando especialmente na convivência com os outros membros da Sanga, nas várias atividades do dia-a-dia.
2. Adisamadhi-shiksha (o Treinamento na Meditação Superior, ou treinamento da mente). Este treinamento é realizado com a prática da meditação, que deve ser supervisionado por um instrutor ou professor formado.
3. Adiprajnya-shiksha (o Treinamento da Sabedoria Superior). Este treinamento é cultivado com o estudo dos textos clássicos budistas, os textos de mestres modernos, as palestras dos professores e pode incluir debates para testar a compreensão.
No Zen, uma parte importante do treinamento baseia-se nas atividades corriqueiras do dia-a-dia, que devem ser realizadas em acordo com a Conduta Superior (os preceitos, com todas as sutilezas de compreensão), com a plena atenção da Meditação Superior e com a Sabedoria Superior. Como parte deste treinamento, vemos uma grande diferença nos papéis dos “roshis” (mestres zen) e dos instrutores (professores, ou professores júnior). Para simplificar, podemos dizer que o papel dos “roshis” (mestres zen) normalmente é de ensinar o “vazio” e dar o exemplo de “acolhimento de todos” e “equanimidade” budistas. Normalmente seriam assistidos no seu trabalho por “instrutores”, que ocupam uma função muito “inferior”, supervisionando o dia-a-dia da prática, com seus aspectos de “forma”, cerimonial e procedimentos. Aqui no Brasil, muitos grupos nem têm “instrutores” qualificados e, outras vezes, quando podem ter um “instrutor”, devido à falta de compreensão da natureza do método do treinamento zen por parte do grupo, este pode acabar sendo rejeitado, sendo visto como um “sargento”, um “inconveniente intragável”. Desta forma, por falta de “instrutores”, muitos grupos acabam não se consolidando como centros de prática zen budista corretamente cultivada... Um amigo meu descreve esta situação como tentativas de entrar num prédio diretamente pela janela do 15o. andar em lugar de entrar pelo térreo e ir subindo andar por andar, com muitos grupos querendo ficar somente com a orientação de roshis visitantes, sem passar pelo trabalho de base, que é feito com o acompanhamento diário de instrutores treinados... Ainda não existe cadeira universitária de estudos budistas no Brasil, muitos textos importantes ainda não foram traduzidos para o português, temos poucos professores qualificados – especialmente os qualificados academicamente, e, consequentemente, temos muito trabalho pela frente. Tendo isto em mente, é a nossa boa fortuna poder receber a visita do Professor Joaquim Shaku Shoshin Monteiro, monge da tradição Terra Pura Japonesa, e doutor em Estudos Budistas pela Universidade de Komazawa, no Japão. Ele estará em Porto Alegre pelo terceiro ano consecutivo para ministrar aulas teóricas sobre os ensinamentos de Buda para o nosso grupo. Em fevereiro, o professor Monteiro dará seguimento ao estudo da Psicologia Budista e da Consciência, no retiro que a nossa Sanga realizará no período do feriado de Carnaval.
Mais informações:
http://aguasdacompaixao.wordpress.com/
http://monjaisshin.wordpress.com/

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

ENERGIAS PARA 2009 Como harmonizar?

Seminário com Mestre Li Hon Ki (6ª edição em Porto Alegre)
O ano de 2008 trouxe muitas dificuldades para todos. Mas 2009 pode ser muito diferente, e melhor! Podemos modificar o rumo das coisas e conquistar mais tranquilidade e sucesso nos projetos de vida. O Seminário Energias para 2009 – Como harmonizar vai enfocar os ensinamentos do I-Ching, que oferecem múltiplas respostas e soluções para elevar as energias auspiciosas e positivas e minimizar as desfavoráveis e destrutivas na saúde, relacionamentos pessoais e profissionais, família, estudos, entre outros. A orientação será do Mestre Li Hon Ki, chinês de origem e profundo conhecedor da sabedoria milenar chinesa. Doutorando nessa área da medicina, ele vai ensinar simbologias, significados, formas e técnicas para harmonizar nosso ambiente de trabalho, lar, escritório, tornando a energia leve e próspera, favorável ao nosso bem-estar como um todo, além de trazer mais prosperidade e sucesso nos projetos de vida. Com os ensinamentos, é possível entrar em sintonia com a Natureza e aprender a nos harmonizarmos com ela.
Data: 9 de fevereiro de 2009, segunda-feira
Horário: das 19h às 22h
Local: Soma & Psi Espaço Terapêutico
Rua José de Alencar, 386 Conj. 202
tel. 3232-2056 / 9986-9176
www.somaepsi.com.br

Workshop e o Curso de Formação em Holos Yoga

1 Workshop
Assimetria Corporal e Otimizando Asanas
Dia: 14 de março de 2009
Horário: 08h30min às 17h30min (08h30 às 12h30 e 14h30 às 17h30)
O curso visa maior consciência na busca de nossa simetria, característica do ser humano em busca da beleza e da saúde. A assimetria, às vezes é o resultado da estrutura óssea ou da expressividade de nosso corpo. Embora devamos levar em conta que ligeiras assimetrias corporais são normais. Podemos obter uma adequada simetria com correções posturais e consciência maior de nossa postura. A estrutura corporal considera partes fundamentais, que devem estar em equilíbrio: pés, pelvis, ombros, cabeça. Nesse curso serão utilizados elementos de ajuda como tacos, parede... com exercícios de correção (energético/físico). O objetivo é chegar a uma melhor performance fisica-mental-emocional e atingir uma harmoniosa postura (asana).

2. Curso Formação em Holos Yoga
Início de turma: 21 e 22 de março de 2009 (É necessário o aluno já ter, pelo menos até, o 5º Módulo (no mínimo), do Curso Formação em Yoga Integral)
Horário: 08h30min às 12h00min e 14h00 às 18h30 (sábado e domingo)

HOLOS Yoga é um sistema profilático, psico-físico-emocional-espiritual; combina o Yoga e a Acupuntura-Moxa objetivando proporcionar aos seres vivos um estado de maior compreensão, conscientização e percepção de si mesmo e do livre fluir da energia pelos canais sutis do corpo. Libera as tensões acumuladas e equilibra as emoções. Leva o indivíduo a um estado de bem estar e harmonia consigo mesmo, com seu habitat, com a Mãe Natureza e com a Essência Divina.
Este sistema concebe todos os aspectos do ser vivo como um todo. Ou seja, não separa nada de sua constituição anatômica, fisiológica, mental, emocional e espiritual, considerando uma unidade. Uma parte depende da outra para o seu bom funcionamento.

Programa do Módulo 6
1- Introdução ao Holos Yoga (História-Princípios)
2- Princípios da Medicina Tradicional Chinesa (MTC)
3- O TAO e seus Precursores (Wu Chi e Wu Wei)
4- 1º Princípio do Holos Yoga: Fundamentos das Teorias e Práticas do Yoga e da Acupuntura-Moxa;
5- As Quatro Formas Básicas de Manifestação da Energia Vital: Yuan Chi (Energia Pré-Celestial), Yong Chi (Energia Pós Celestial), Wei Chi (Energia Yang de defesa--> Energia Perserva); Shen Qi (Energia Psiquica);
6- Exercícios Psicofíscicos Chineses: "A Luz se Expande no Centro do Coração"; "Roda D'Água"; "A Leveza do Dragão" "O Dragão se Torce para Trás"; "Realinhando as Três Energias Yin e Yang dos Braços"; " Energia Cósmica Positiva Curativa".
7- Vinyasa Vyayam: Desbloqueios das Articulações e Maha Namaskar (A Grande Saudação).

Como se desenvolve o Curso:
1. Composto de 24 módulos.
2. Duração de cada módulo 16 horas.
3. Trabalho escrito de conclução
4. Aulas laboratório, provas teóricas e práticas.
5. Resenha de Livros Indicados.

Incrições Abertas - Rua Gen Bento Martins, 24, conj 1204 - Porto Alegre - Fone: 51 3024-4155 Celular: 51 9259-4664

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Inovação ao desenvolvimento sustentável


Produtos da linha que ganham novas fórmulas vegetalizadas e sensorial ainda mais agradável
Em 2000, da vontade de se fazer negócio de uma maneira diferente, em que todas as partes ganham - natureza, sociedade e empresa - nasceu a linha Natura Ekos. Desde então, a Natura assumiu um compromisso explícito com o uso sustentável da biodiversidade brasileira e com a valorização das riquezas da nossa terra e da nossa gente. Ao longo destes anos, Natura Ekos esteve sempre a frente em direção a esta meta, investindo e buscando novas tecnologias para reduzir o impacto dos seus produtos no meio ambiente, descobrindo novos ingredientes e contribuindo para a valorização e o crescimento de comunidades locais.
Em 2009, a linha dá mais um passo nesse rumo: todos os sabonetes líquidos para o corpo e para as mãos da linha Natura Ekos passam a ser vegetalizados. Com nova fórmula, os sabonetes líquidos passaram a ter mais de 60% de matéria-prima vegetal renovável, extraída de maneira sustentável e com melhora significativa em performance e sensorial dos produtos: mais espumação, cremosidade e bem-estar.
“Vegetalizar é substituir ingredientes de origem animal, mineral ou sintética, por outros de origem vegetal, os quais se extraídos de forma sustentável se renovam sempre. Desde 2004 começamos este movimento de renovação em nossas fórmulas, vegetalizando os sabonetes em barra de Natura Ekos. Em 2007, vegetalizamos os óleos trifásicos e passamos a utilizar em nossos perfumes álcool orgânico ao invés do álcool comum, conta Renata Puchala, gerente de marketing da linha Natura Ekos.
A maioria dos produtos cosméticos e não cosméticos utiliza matérias primas de origem sintética ou outras de origem não renovável, como por exemplo o petróleo. Isto quer dizer que tiram da natureza aquilo que não é possível devolver à ela. Priorizar matérias primas de origem vegetal é contribuir para a perpetuação da natureza.
“É importante destacar que este é um processo demorado, que exige tecnologia, inovação e pesquisa. Muitas vezes, temos que descobrir e testar novos ingredientes. E a complexidade aumenta pois buscamos vegetalizar as fórmulas trazendo um sensorial ainda melhor para o consumidor. Todo mundo ganha: a natureza que é preservada e o consumidor que contribui para um mundo melhor e ganha produtos muito mais cremosos, com maior espumação e prazer para o banho”, detalha Renata.